CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

sábado, 5 de janeiro de 2008

O meu texto que vai ser publicado no livro "As cartas que eu nunca mandei" em março.

Existem horas que a distancia é mais presente que a própria presença e nos encontramos forçados a calar qualquer presente sentimento por saber que a distancia limita tudo...
É uma situação bem difícil, pois tem horas que o sentimento não quer calar e insiste em gritar escorrendo pelo rosto.
Eu sinto saudades imensas, de muita coisa e muita gente, coisas que eu vivi e foram muito boas e coisas que jamais vou poder viver!
Sinto saudades de amigos que não são mais amigos, de amigos que nunca foram amigos, de parentes que não estão mais comigo e de parentes que nunca estiveram.
Ah, a saudade! Quando é daquele tipo que não se “mata” ela é tão cruel! Principalmente quando é saudade de alguém que você nem sequer conheceu...
No meu caso, é de você tia, que faz falta pra todos à minha volta que me contam daqui e dali o quanto eu lhes lembro você.
Será mesmo que eu posso ser tão parecida com alguém que eu nem conheci? E será que eu farei a mesma falta quando já não estiver mais aqui?
Parece tolice escrever uma carta pra alguém que já não está mais entre nós, mas com tanta gente insistindo todo o tempo em falar o quão nós somos parecidas, talvez se você tivesse aqui, talvez se pelo menos tivesse me conhecido, no meu lugar, você soubesse exatamente o que fazer.
Então diga-me tia, você que já deve ter tido todas as suas dúvidas respondidas, onde quer que você esteja, por favor arranja um meio de me dizer qual é a cura da saudade?
A saudade pode ser o sentimento mais terrível, mas será que ela supera o tempo?
E a distância, a saudade supera? Agora e a morte, tia? Será que ela também supera isso?
Uma carta é a única solução que vejo para desabafar esse conjunto de emoções, porém é uma carta que jamais será enviada, pois além de não ter destinatário é só um meio de vazão para algo que às vezes não se cala.
As vezes sinto que só não posso morrer de saudades porque eu estou vivendo delas, e você não deve nem imaginar a falta que faz, pra todos à minha volta, aliás.
Acho que você gostaria de saber, que jamais foi esquecida, nem por um segundo sequer e que eu não sou a única sobrinha que você não conheceu, pois ano passado ganhei um irmãozinho! Mas ele não é filho da mamãe, ela e papai se separaram antes mesmo deu nascer... A Kika também tem uma filha, e agora está morando em Portugal, vai se casar em janeiro com um portugues... Voce iria gostar de assistir não é mesmo?
Você era nova demais, mas pelo que dizem curtia a vida como se cada dia fosse o último dia, a pessoa que teve a vida mais completa que eles já conheceram, apesar de ter terminado com apenas 21 anos.
Você também sente saudades da gente, tia? Inclusive de mim? Você tem idéia que eu existo?
Imagino que sim, e imagino também que voce nos guia de onde quer que voce esteja, e cuida da gente, por isso quero também agradecer-te nessa carta, por toda a proteçao.
Aqui me permito dizer, mesmo sabendo que não haverá resposta que amo-te. De uma forma ou de outra fui levada a amar-te como a mim mesma, desesperada e reconfortantemente, matura e ridiculamente, tola e sabiamente, pois sei com plenitude que onde quer que se encontre entre o sangue, a terra e o firmamento, você deve me ouvir e saber, como um sexto sentido, a falta que você faz a alguém que não existia antes de você.
E a distancia não me limita, a saudade não me destrói e as lembranças que eu não tive de você te eternizaram em mim.

(Chanice Magalhaes)

0 comentários: